Por Enio Willian
A crise financeira mundial está deixando várias lições e uma delas é a de que a economia e os mercados são movidos por ciclos, fenômeno observado pelas diversas crises ocorridas na economia mundial ao longo da história. Mas, como nem toda crise dura para sempre, passado o período mais agudo da crise financeira mundial, resta analisar o cenário que está por vir e as perspectivas da economia para os próximos anos no Brasil e no mundo.
Ainda é cedo para se dizer em extinção da crise, mas é certo que o país começa a apresentar alguns sinais de recuperação econômica, com indicadores de recuperação, ainda que fraca, da indústria, do comércio e do crédito. No médio e longo prazo, o cenário é de otimismo para os mercados, mas para o próximo ano a situação ainda requer cautela, principalmente porque parte significativa dos investimentos no Brasil é estrangeira e, por lá, a recuperação será mais longa do que aqui.
Cautelas no curto prazo
No curto prazo, o consumo ainda está dependente de estímulos do governo sob a forma de incentivos fiscais em alguns bens de consumo como a redução do IPI para automóveis em vigência até setembro e a prorrogação da redução do IPI para a linha branca por mais três meses. Sem esses incentivos, o aquecimento da economia poderia ficar comprometida. Essas medidas, sem dúvidas, contribuíram para o aquecimento da economia. A redução da taxa básica de juros permitiu maior acesso ao crédito por parte dos consumidores e das empresas. A indústria pôde investir e contratar mais e as pessoas consumirem mais. Aliada aos incentivos fiscais, as vendas de eletrodomésticos e, principalmente, de automóveis impulsionaram o mercado. A grande preocupação agora será com o nível de inadimplência para os próximos anos. Uma grande parte da população aproveitou esse momento de incentivo para comprarem automóveis e eletrodomésticos, mas nem todos terão condições de assumir dívidas de longo período e nem todos esses compradores permanecerão no emprego. O fim dos estímulos dados pelo governo poderá provocar uma queda no consumo, nas vendas, no nível de emprego e consequentemente dificuldades desses trabalhadores de honrarem as parcelas dos financiamentos feitos em 2009. Isso porque o mercado ainda não está em plena condição de caminhar com as próprias pernas. Mas, a recuperação econômica é notória no Brasil e no mundo.
Recuperação e crescimento no médio e longo prazo
No médio prazo, o país mostra recuperação. Os grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, sediados no Brasil em 2010 e 2016 respectivamente impulsionarão vários setores já a partir desse ano. A construção civil terá forte crescimento com a construção de hotéis, estádios e toda a infraestrutura necessária para a realização desses eventos. Além desse setor, milhares de empregos diretos e indiretos (fora da construção civil) serão criados no país. Tomadas as devidas precauções, as perspectivas são boas para o país, que tem atraído o interesse de investidores estrangeiros e há um mercado que ainda tem muito a ser conquistado.
Perspectivas na Bolsa de Valores
As empresas brasileiras tem se tornado cada vez mais eficientes e competitivas, conquistando mercados antes não conquistados, implementando políticas de governança corporativa e atraído a atenção de investidores em todo o mundo. Essa pujança faz com que o valor dessas empresas aumente ao longo do tempo e se reflita no valor das suas ações no mercado de capitais. Em 2009, o Ibovespa (índice que mede o desempenho dos principais papéis negociados na Bolsa de Valores de São Paulo) se valorizou 72,62% de janeiro até 05 de novembro deste ano. Parte desse salto se deve a especulação, mas grande parte é atribuída à confiança do investidor nas empresas nacionais e pela boa administração que elas desenvolvem. Mesmo com algumas correções e realizações de lucro previsto pelos analistas, a tendência é de boa valorização no mercado de capitais brasileiro para os próximos anos.









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