Por Enio Willian
O Brasil tem demonstrado que está disposto a colocar e economia de volta no rumo do crescimento. Existem vários meios de se fazer isso, talvez a forma mais clara e efetiva seja através da redução da taxa básica de juros.
Analisando a evolução histórica da SELIC, a taxa de juros que baliza a economia brasileira, percebe-se que ela vem caindo ao longo do tempo. Mesmo no período da forte crise financeira vivida atualmente onde a taxa básica de juros voltou a subir por alguns meses, esse aumento não chegou nem perto daquelas praticadas nos anos de 2002 e 2003. Para completar, o Banco Central acaba de reduzir essa taxa para apenas um dígito – algo histórico por aqui.
No outro lado da moeda, a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) já atingiu quase 50% no ano de 2009. Nem parece que o Brasil passou por uma forte crise financeira. No ano passado, a perda atingiu o patamar de 41,22%, o pior índice desde 1972. No entanto, quando se observa o longo prazo, é possível notar que a BOVESPA vem crescendo gradativamente, assim como a taxa SELIC vem caindo.
Acontece o seguinte:
A taxa básica de juros, representada pela SELIC, é a taxa que define em geral o custo do dinheiro no Brasil. Quanto maior for esse percentual, significa que mais caro está sendo o capital. Ou seja, as taxas de juros cobrados nos empréstimos e financiamentos tendem a subir na medida que essa taxa sobe. Isso acontece por diversos motivos. Esse aumento pode se dar em momentos de crises financeiras onde os bancos ficam mais cautelosos em emprestar dinheiro em razão do alto risco envolvido. O crédito pode ficar mais escasso e, portanto, mais caro.
Mas, o que vale ressaltar é que o crédito impulsiona a economia brasileira, os investimentos nos setores produtivos e o consumo.
Por outro lado, a bolsa de valores é o local onde se negociam diversos ativos, dentre eles ações de empresas de capital aberto. Ela indica o valor das empresas listadas. Se o valor das ações sobe, o valor da empresa também cresce. Vale lembrar que existem vários modos de se calcular o valor de uma empresa. Estamos considerando aqui o valor definido pela quantidade de ações negociadas em bolsa multiplicada pelo seu valor no pregão. Portanto, vale dizer que a Bovespa é um termômetro que indica se o valor das empresas está crescendo ou caindo.
Cruzando essas duas informações (taxa de juros em queda e Bovespa em alta) pode-se entender que o dinheiro está ficando menos oneroso. O crédito está se tornando mais acessível. Com juros mais baixos, as empresas podem pegar mais dinheiro para investir, expandir seus negócios, contratar mais mão-de-obra e isso promove um aumento na renda do trabalhador, aumento no consumo, aumento na produção da empresas e um crescimento na economia. Todo esse conjunto de fatores faz com que o valor dessas empresas aumente no mercado. Ou seja, o valor das ações dessas empresas na bolsa de valores cresce.
Outro ponto importante a observar é a velocidade com que a BOVESPA se recupera depois de uma crise. Antes, a recuperação demorava certo tempo para acontecer. Hoje, as crises continuam existindo, mas a recuperação se dá de forma mais rápida.
Nem tudo será só comemoração. Essa crise não foi a primeira e não será a última no Brasil e na história. Os juros com certeza vão crescer novamente e cair depois. Mas, o que mede se estamos indo bem ou não é o conjunto como um todo analisado ao longo de um determinado período de tempo.
Se a taxa básica de juros continuar em ritmo de queda, é possível que o Brasil comece a viver uma nova história de crescimento sustentável. Esse crescimento pode ser medido, dentre outros instrumentos, pelo valor e pelo crescimento das empresas que geram renda e tem seus ativos refletidos na BOVESPA.
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