Por Enio Willian
O Brasil está vivendo um momento histórico no mercado financeiro, principalmente no que diz respeito à taxa de juros. A taxa básica de juros que baliza a economia e o crédito no país, a SELIC, vem apresentando reduções significativas ao longo do tempo.
Analisando a evolução histórica dessas taxas no período entre janeiro de 2002 a agosto de 2009, é possível verificar alguns pontos interessantes.
A maior taxa já registrada no período ocorreu nos meses de abril e maio de 2003 onde a SELIC alcançou 26,32% ao ano. Na verdade, o Brasil sempre registrou a maior taxa de juros praticada no mundo e atualmente vem disputando essa posição com a Turquia. Quando os juros são altos no país, os setores produtivos que necessitam de crédito para produzirem e se desenvolverem também são afetados pois o custo de capital para essas empresas se tornam elevados. Normalmente, esses custos são repassados aos consumidores além de ameaçar o emprego e a renda dos trabalhadores.
No entanto, de janeiro de 2006 para cá, essa taxa vem caindo consideravelmente e de forma constante. Em janeiro de 2006, ela estava em 17,98% ao ano e foi reduzindo até junho de 2008, fechando em 11,64%. A crise financeira mundial fez com que ela subisse nos nove meses seguintes devido à escassez de crédito causado pela crise, mas em abril deste ano a SELIC ficou inferior aos 11,64 % observados em junho do ano passado.
Se for analisado todo o período entre 2002 a julho de 2009, é possível concluir que a taxa SELIC sofreu uma redução de 51,91%. Isso é ótimo.
O porquê do “momento histórico” ?
Mas, afinal, porque o país vive agora um momento histórico ? A resposta encontra-se na taxa de juros verificados em julho e agosto de 2009. Pela primeira vez na história brasileira, a taxa básica de juros da economia ficou abaixo dos dois dígitos, fechando em 9,16% ao ano para julho e agosto deste ano. Isso é um registro histórico para o Brasil.
No entanto, esse número não é o desejável ainda, uma vez que outros países possuem taxas de juros bem menores. Na Alemanha, ela está em torno de 1,5% ao ano, nos EUA essa taxa é de 0,25% ao ano (em abril de 2009). Quando analisado essa taxa no Japão, ela é uma das menores do mundo. Em junho deste ano, ela estava em 0,1% ao ano. O Brasil ainda possui um caminho a percorrer, mas algo indica que ele caminha para o rumo certo. Vamos torcer.
Essa redução traz diversas vantagens. Vamos citar algumas.
Em primeiro lugar porque torna o custo do capital mais barato e promove o crescimento de outros setores da economia que necessitam de crédito para expandirem seus negócios, promovendo a criação de emprego e renda. Depois, com o crescimento desses setores, o país como um todo cresce. Quando as empresas crescem e se desenvolvem, o país também cresce. Essa valorização, muitas vezes, é refletida na bolsa de valores.
Outro ponto a citar é a influência dessa redução para o consumidor final. O dinheiro ficou mais barato tanto para as empresas, que se utilizam desse capital para aumentarem sua produção, quanto para as pessoas que podem recorrer ao crédito mais barato com o objetivo de consumo final.
Alguns cuidados:
A redução da taxa básica de juros na economia traz diversos benefícios, como já foi visto. Porém, é preciso lembrá-los dos seus riscos quando utilizados de forma inadequada.
Com o crédito mais barato e acessível, muitas pessoas podem recorrer a esse instrumento para complementar a renda e aumentar o consumo. Tremendo erro. Crédito não é aumento de renda do trabalhador. Ele deve ser usado de forma inteligente.
Ele deve ser usado para quitar outras dívidas pendentes cuja taxa de juros é maior do que o valor do crédito que o consumidor pretende contrair agora. Por exemplo, se o consumidor possui uma dívida com cheque especial ou cartão de crédito, seria interessante ele conseguir um empréstimo pessoal com juros menores do que ao do cartão de crédito e do cheque especial para quitar essa dívida.
Outro uso inteligente para o crédito mais barato encontra-se no fato de aproveitar esse momento para investir em um negócio próprio. Nesse caso, a pessoa estaria utilizando um capital de terceiro para abrir um novo empreendimento, criando novos postos de trabalhos e produzindo renda. Nessa opção, o crédito (dinheiro emprestado pelo banco) estaria trabalhando para você.
Essas são algumas sugestões para o uso inteligente do crédito.
A redução da taxa de juros pode levar muitos a ficarem endividados pela falsa impressão de que seu poder aquisitivo também aumentou. Mas, isso não é verdade. Por isso, cuidado ao buscar crédito.
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