Enxergue oportunidades nos momentos de crises
Por Enio Willian
Quando a economia vai bem, os setores produtivos crescem, o consumo aumenta e o dinheiro circula com mais fluidez no mercado. Mas, quando os países entram em crises, a situação que se vê mostra-se o contrário e nos apontam para um cenário quase que hostil. Afinal de contas, quem desejaria viver num ambiente que está enfrentando uma crise ? Acredito que pouquíssimas pessoas responderiam que sim. No entanto, existem algumas forças que não estão dentro do nosso controle na qual não podemos fazer quase nada. A atual crise financeira, que agora infuencia com maior intensidade o Brasil, teve seu início no mercado imobiliário dos EUA quando a maioria da população norte americana se viram impossibilitados de continuarem honrando suas mensalidades no pagamento das prestações de seus imóveis. Isso causou enormes prejuízos aos bancos que, financiaram esses imóveis acreditando no seu efetivo pagamento. Se uma pessoa não consegue pagar essa dívida, a outra parte não recebe e conseqüentemente também fica impossibilitado de honrar seus compromissos. O final desse efeito dominó culminou nos bancos que atuam como agentes financiadores da economia. Por isso, inúmeras instituições financeiras estão quebrando e outras entrando em enormes dificuldades financeiras. A crise financeira, então, já se instalou no mundo.
Por que ela afeta outros países como o Brasil ?
Hoje, as transações financeiras se evoluíram e alcançou dimensões continentais. O fluxo de dinheiro extrapolou as fronteiras dos países. São características da globalização. Empresas realizam negócios dentro e fora do país, fundos de pensão, bancos e governos compram ações e títulos de outras empresas estrangeiras e de governos de outros países. Essa interligação faz com que uma crise nos EUA, por exemplo, atinja a Europa, Ásia e até os países emergentes como o Brasil.
No caso brasileiro
A BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo) vem registrando fortes quedas nestes últimos meses em decorrência desse fenômeno. Por que será ? A razão é simples. Em regra geral, mais de 50% dos investidores pessoas físicas que investem na BOVESPA são estrangeiros. Apenas 486.706 investidores com aplicações na bolsa são brasileiros segundo dados coletados no site Dinheirama. A predominância ainda são de estrangeiros. Ou seja, quando ocorre alguma crise lá fora, os investidores que possuem aplicações no exterior retiram seus recursos para sanarem suas dívidas e, com isso, o dinheiro sai dos países e voltam para suas origens. Hoje, muitos cidadãos norte americanos que possuem recursos investidos na bolsa de valores de São Paulo estão retirando esse dinheiro daqui e de outros países para resolverem seus problemas dentro dos EUA. Por isso, as ações estão sendo vendidas e não existem compradores suficientes. Esta é uma das principais razões pelos quais a BOVESPA vem registrando quedas quase que sucessivas ultimamente. A evasão de dinheiro está sendo enorme.
Com a escassez de dinheiro na economia, ele se torna cada vez mais caro. Por isso, as taxas de juros também sobem seguindo o temor de uma possível recessão norte americana. Os bancos estão restringindo o crédito com medo de futuras inadimplências (assim como ocorreu nos EUA).
Em janeiro deste ano, a taxa SELIC estava em 11,25% ao ano. Em setembro, essa taxa já pulou para 13,5% segundo dados do Comitê de Política Monetária (COPOM) divulgados pelo site “Portal Brasil”.
Onde quero chegar com este artigo
Que a crise está atuando de forma evidente, todos já sabem, mesmo porque, os noticiários dos meios de comunicação informam isso diariamente. A grande questão é: o que podemos aproveitar disso tudo ? O que podemos aprender com isso ?
Enxergando oportunidades em meio à crise
Parece impossível enxergar oportunidades em meio às crises. Parece que tudo o que a maioria das pessoas fazem é correr para a mesma direção (o que chamamos de “efeito manada” quando muitos adotam a mesma postura diante de uma determinada situação.)
Mas, eu gostaria que você começasse a enxergar esses eventos com olhos analíticos e começasse a ver oportunidades onde a maioria vê problemas e ameaças.
1° lição:
A primeira lição que podemos tirar dessa crise mundial está voltado mais para uma reflexão e mudanças de conceitos e hábitos. Pessoas que comprometeram mais de 40% de suas rendas com prestações e empréstimos em anos anteriores acreditando que a estabilidade econômica do Brasil nunca iria ser abalada sofrem agora com os efeitos de uma crise que nem se iniciou aqui dentro. Hoje são caracterizadas como pessoas endividadas. É hora de rever os hábitos de consumo e adquirir um novo comportamento no que diz respeito à vida financeira. Algumas dicas básicas podem resumir essa explicação. Nunca comprometa mais que 30% da sua renda com dívidas ou prestações e não estenda-as por longos períodos. Pense bem antes de efetuar uma compra. Analise se essa aquisição é realmente necessária. Não se iluda com um salário relativamente alto. Se você acabou de ser promovido na empresa ou recebeu aumento de salário, não aumente seus gastos por conta disso. Nós não sabemos o que poderá ocorrer amanhã. Para isso, construa uma reserva de emergência antes de aumentar seu padrão de vida e pense sempre antes de sair por aí gastando seu dinheiro. Principalmente agora em que ele está se tornando mais caro com taxas de juros mais altas.
2° lição:
Enxergue oportunidades onde a maioria só consegue ver crises e mais crises. O segredo é poupar e investir. Aprenda uma coisa: em todo o tempo é hora é poupar, mas em tempos de crises, essa regra se torna fundamental. Está enfrentando crises na economia ? Poupe ao invés de consumir desenfreadamente. Vou explicar por quê. O Brasil possui a maior taxa de juros do mundo (talvez perca apenas para a Turquia). Isso é ruim para quem precisa tomar dinheiro emprestado. Mas essas taxas de juros são altas tanto para quem toma quanto para quem investe. Você já parou para pensar nisso ? Quem tomar dinheiro emprestado vai pagar caro por isso. Por outro lado, quem resolver poupar e investir no mercado financeiro irá ser bem remunerado por isso também. Quando a taxa básica de juros aumenta, há forte tendência de aumento também nas taxas de juros que remuneram algumas aplicações financeiras como a caderneta de poupança, os títulos do governo, os CDIs (Certificados de Depósitos Interbancários), os CDBs e os RDs e assim por diante.
No começo do ano, a poupança estava pagando 0,5% ao mês, em média, aos seus aplicadores. Hoje, ela está na casa de 0,7% ao mês aproximadamente. Ou seja, além de viver uma vida com mais qualidade, mudando seu comportamento e conceitos sobre consumo e dinheiro, você irá aproveitar as altas taxas de juros para fazer seu dinheiro render mais. Isso proporcionará a realização de vários sonhos futuros.
Para aqueles que estão dispostos a se arriscarem mais, eu ainda aconselho o mercado de capitais. A BOVESPA está caindo porque muitos investidores estão vendendo suas ações e saindo do mercado para cobrirem suas dívidas lá fora. Ou seja, essa é a hora de você entrar no mercado e adquirir essas ações por um preço bem abaixo do que aquilo que elas realmente valem. Dentro de um, dois ou três anos, o mercado provavelmente voltará ao normal e as ações subirão de preços novamente.
Talvez você não esteja enxergando muita lógica nisso tudo. Vou exemplificar. Se você fosse um comerciante, você compraria um produto por um preço menor ou maior do que aquele que você usaria para revender ? Tenho certeza que você compraria uma mercadoria por um preço muito abaixo e venderia por um valor maior. Certo ? No mercado de ações é a mesma coisa. Os investidores compram uma ação por um preço e vendem por outro maior. Mas, muitos ainda não compreenderam isso. Eles acabam entrando na alta e saindo na baixa desesperados com as crises. Quem investe em ações na crise e vende quando a bolsa está em alta, alcançam resultados (ou seja, lucros) surpreendentes. Mas, cuidado ! Se você não está disposto a correr riscos e não quer esperar 2 ou 3 anos para vender essas ações com lucro, então o mercado de ações não é o seu lugar. Nesse caso, fique com as opções mais conservadoras tais como a caderneta de poupança e os investimentos em renda fixa.
Enfim, quero chegar ao final de mais este texto concluindo e deixando a seguinte afirmação para você pensar, refletir e tomar suas decisões:
“Comece a enxergar oportunidades em momentos de crises”.










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