As datas comemorativas e o consumo consciente: uma breve análise  (Para você) escrito em quarta 10 novembro 2010 15:05

Por Enio Willian

   Como é de conhecimento geral, no mês de dezembro é comemorado o Natal. Como em todas as datas comemorativas, o apelo ao consumo é algo evidente nestas épocas. As empresas buscam aumentar o faturamento com o crescimento nas vendas e as pessoas, em sua maioria, compram produtos que muitas vezes não necessitam e acabam extrapolando os gastos e comprometendo o orçamento doméstico.

   A questão aqui não é trazer julgamentos sobre o fato de comprar ou não comprar, e sim, identificar qual é o limite entre esses dois pontos. Não há nada de errado comprar chocolates na época da Páscoa, panetones no Natal nem dar presentes em todas as datas comemorativas. Porém, todas essas decisões de compra devem ser feitas com consciência e racionalidade.

   Não faz sentido comprar algo apenas pelo fato de ser uma data comemorativa, em que o comércio investe mais em propaganda. Na visão das empresas que sobrevivem de vendas, todos os dias serão perfeitos para uma pessoa comprar um determinado produto, todos os dias terá uma promoção imperdível esperando por cada um de nós, sempre será lançado um produto novo no mercado na qual muitos acreditam que será impossível viver sem ele. As empresas precisam vender e elas farão o possível para convencer seu público alvo a comprar seus produtos e adquirir seus serviços.

   O consumo consciente é saudável e deve ser praticado. No entanto, quando o consumo passa a não ter explicações lógicas e extrapola o orçamento familiar, a situação começa a preocupar. Corre-se sérios riscos de se cair no consumismo desenfreado. Muitos o chamam de "compras por impulso".

   Então, o que fazer ?

   Para que as pessoas tomem decisões inteligentes no dia-a-dia, são necessárias algumas atitudes práticas. Aqui vão algumas delas:

   Primeiro, antes de realizar qualquer compra, faça as seguintes perguntas:

  • 1) Por que estou comprando esta mercadoria ?
  • 2) Eu realmente preciso deste produto ou deste serviço ?
  • 3) O que ele vai acrescentar em minha vida ? Irá trazer benefícios ?

   Feito esses questionamentos, a pessoa já reduz muito as chances de erros no momento da compra.

   Por mais dolorido que possa parecer, não faria sentido lógico você comprar um produto na qual você não o usaria não é verdade ?

   Agora vem o filtro final. Em segundo lugar, faça a seguinte análise: O valor deste produto ou serviço cabe dentro do orçamento doméstico tranquilamente ? Se não couber, a compra deverá ser adiada.

   Mesmo se o produto que você deseja comprar for realmente importante para sua vida, não faça empréstimos para adquirí-la. Adie a compra, junte o valor necessário e compre à vista. Seu poder de barganha junto ao vendedor será muito maior e você poderá pedir descontos. Se você compra o produto (ou o serviço) parcelado, em outras palavras, seria a mesma coisa se você tivesse solicitado um empréstimo para comprá-lo. Afinal de contas, alguém está te concedendo crédito para que você compre de maneira parcelada e, para isso, cobrará juros de você, seja a loja ou o banco.

   Uma compra parcelada somente se justifica quando seu uso for urgente (a compra de um medicamento quando alguém estiver doente por exemplo) ou quando essa compra gerar lucros para você maior que o valor das parcelas que você irá pagar, quando você compra um equipamento para trabalhar por exemplo. Em se tratando de compras em datas comemorativas, acredito que esses casos não se enquadram aqui. Portanto, compre somente aquilo que realmente for útil e se couber dentro do orçamento familiar, principalmente se a compra for para presentear alguém.

   Mesmo em compras feitas por motivos de urgência, o adequado seria a família possuir uma reserva de emergência exclusivamente para atender suas necessidades em momentos onde não é possível esperar. Essa reserva, com certeza, evitaria muitas preocupações e dores de cabeça.

   Que cada pessoa, a cada dia, possa tomar decisões inteligentes na hora de comprar e consumir qualquer produto ou serviço.

   Boas compras e boa saúde financeira para todos.

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O que fazer com seu Décimo Terceiro salário ?  (Finanças Pessoais) escrito em quinta 07 janeiro 2010 11:03

Por Enio Willian

O 13° salário é, com certeza, uma renda que chega como um reforço no orçamento de muitas famílias no final do ano, mas acaba sendo usado de forma pouco eficiente por muitos. Por se tratar de um salário especial, uma vez que não faz parte da renda mensal durante todos os meses do ano, deveria também ser administrado de forma especial.

Ele deveria ser destinado para a poupança com o objetivo de se alcançar algum sonho já planejado pela família como, por exemplo, fazer uma viagem dos sonhos, reformar a casa, trocar de carro ou simplesmente reforçar a reserva de emergência do lar. No entanto, com os descuidos no orçamento doméstico que muitos cometem durante o ano inteiro, esse salário especial acaba sendo direcionado para cobrir o rombo das contas familiares.

Para aqueles que simplesmente o usam para aumentar o consumo, logo esse valor desaparece dos bolsos e a sensação, muitas vezes, é como se ele nunca tivesse existido.

A seguir, algumas dicas que podem ser úteis para aqueles que desejam dar um destino correto para esse salário que só vem uma vez ao ano.

1.      Para aqueles que possuem dívidas pendentes, não resta discussão. Esse dinheiro deve ser usado para quitar essas dívidas o mais rápido possível.

2.      Para aqueles que não estão endividados, é recomendado reservar esse dinheiro para as despesas extras que segue no início do ano e que também atinge grande parte das famílias brasileiras. Dentro dessas despesas extras estão o IPTU, IPVA, seguro do veículo, matrículas escolares dentre outros. Perceba que são todas despesas que aparecem normalmente no início do ano e é interessante ter recursos para quitá-las ao invés de parcelar essas contas.

Por isso, não perca tempo e use da melhor forma esse salário extra que, aliás, é muito bem vindo.

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Perspectivas econômicas para os próximos anos  (Assuntos Econômicos) escrito em segunda 09 novembro 2009 16:45

Por Enio Willian

A crise financeira mundial está deixando várias lições e uma delas é a de que a economia e os mercados são movidos por ciclos, fenômeno observado pelas diversas crises ocorridas na economia mundial ao longo da história. Mas, como nem toda crise dura para sempre, passado o período mais agudo da crise financeira mundial, resta analisar o cenário que está por vir e as perspectivas da economia para os próximos anos no Brasil e no mundo.

Ainda é cedo para se dizer em extinção da crise, mas é certo que o país começa a apresentar alguns sinais de recuperação econômica, com indicadores de recuperação, ainda que fraca, da indústria, do comércio e do crédito. No médio e longo prazo, o cenário é de otimismo para os mercados, mas para o próximo ano a situação ainda requer cautela, principalmente porque parte significativa dos investimentos no Brasil é estrangeira e, por lá, a recuperação será mais longa do que aqui.

Cautelas no curto prazo

No curto prazo, o consumo ainda está dependente de estímulos do governo sob a forma de incentivos fiscais em alguns bens de consumo como a redução do IPI para automóveis em vigência até setembro e a prorrogação da redução do IPI para a linha branca por mais três meses. Sem esses incentivos, o aquecimento da economia poderia ficar comprometida. Essas medidas, sem dúvidas, contribuíram para o aquecimento da economia. A redução da taxa básica de juros permitiu maior acesso ao crédito por parte dos consumidores e das empresas. A indústria pôde investir e contratar mais e as pessoas consumirem mais. Aliada aos incentivos fiscais, as vendas de eletrodomésticos e, principalmente, de automóveis impulsionaram o mercado. A grande preocupação agora será com o nível de inadimplência para os próximos anos. Uma grande parte da população aproveitou esse momento de incentivo para comprarem automóveis e eletrodomésticos, mas nem todos terão condições de assumir dívidas de longo período e nem todos esses compradores permanecerão no emprego. O fim dos estímulos dados pelo governo poderá provocar uma queda no consumo, nas vendas, no nível de emprego e consequentemente dificuldades desses trabalhadores de honrarem as parcelas dos financiamentos feitos em 2009. Isso porque o mercado ainda não está em plena condição de caminhar com as próprias pernas. Mas, a recuperação econômica é notória no Brasil e no mundo.

Recuperação e crescimento no médio e longo prazo

No médio prazo, o país mostra recuperação. Os grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, sediados no Brasil em 2010 e 2016 respectivamente impulsionarão vários setores já a partir desse ano. A construção civil terá forte crescimento com a construção de hotéis, estádios e toda a infraestrutura necessária para a realização desses eventos. Além desse setor, milhares de empregos diretos e indiretos (fora da construção civil) serão criados no país. Tomadas as devidas precauções, as perspectivas são boas para o país, que tem atraído o interesse de investidores estrangeiros e há um mercado que ainda tem muito a ser conquistado.

Perspectivas na Bolsa de Valores

As empresas brasileiras tem se tornado cada vez mais eficientes e competitivas, conquistando mercados antes não conquistados, implementando políticas de governança corporativa e atraído a atenção de investidores em todo o mundo. Essa pujança faz com que o valor dessas empresas aumente ao longo do tempo e se reflita no valor das suas ações no mercado de capitais. Em 2009, o Ibovespa (índice que mede o desempenho dos principais papéis negociados na Bolsa de Valores de São Paulo) se valorizou 72,62% de janeiro até 05 de novembro deste ano. Parte desse salto se deve a especulação, mas grande parte é atribuída à confiança do investidor nas empresas nacionais e pela boa administração que elas desenvolvem. Mesmo com algumas correções e realizações de lucro previsto pelos analistas, a tendência é de boa valorização no mercado de capitais brasileiro para os próximos anos.

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Taxa de juros caindo, bolsa de valores se recuperando e o país crescendo  (Assuntos Econômicos) escrito em segunda 10 agosto 2009 17:13

Por Enio Willian

O Brasil tem demonstrado que está disposto a colocar e economia de volta no rumo do crescimento. Existem vários meios de se fazer isso, talvez a forma mais clara e efetiva seja através da redução da taxa básica de juros.

Analisando a evolução histórica da SELIC, a taxa de juros que baliza a economia brasileira, percebe-se que ela vem caindo ao longo do tempo. Mesmo no período da forte crise financeira vivida atualmente onde a taxa básica de juros voltou a subir por alguns meses, esse aumento não chegou nem perto daquelas praticadas nos anos de 2002 e 2003. Para completar, o Banco Central acaba de reduzir essa taxa para apenas um dígito – algo histórico por aqui.

No outro lado da moeda, a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) já atingiu quase 50% no ano de 2009. Nem parece que o Brasil passou por uma forte crise financeira. No ano passado, a perda atingiu o patamar de 41,22%, o pior índice desde 1972. No entanto, quando se observa o longo prazo, é possível notar que a BOVESPA vem crescendo gradativamente, assim como a taxa SELIC vem caindo.

Acontece o seguinte:

A taxa básica de juros, representada pela SELIC, é a taxa que define em geral o custo do dinheiro no Brasil. Quanto maior for esse percentual, significa que mais caro está sendo o capital. Ou seja, as taxas de juros cobrados nos empréstimos e financiamentos tendem a subir na medida que essa taxa sobe. Isso acontece por diversos motivos. Esse aumento pode se dar em momentos de crises financeiras onde os bancos ficam mais cautelosos em emprestar dinheiro em razão do alto risco envolvido. O crédito pode ficar mais escasso e, portanto, mais caro.

Mas, o que vale ressaltar é que o crédito impulsiona a economia brasileira, os investimentos nos setores produtivos e o consumo.

Por outro lado, a bolsa de valores é o local onde se negociam diversos ativos, dentre eles ações de empresas de capital aberto. Ela indica o valor das empresas listadas. Se o valor das ações sobe, o valor da empresa também cresce. Vale lembrar que existem vários modos de se calcular o valor de uma empresa. Estamos considerando  aqui o valor definido pela quantidade de ações negociadas em bolsa multiplicada pelo seu valor no pregão. Portanto, vale dizer que a Bovespa é um termômetro que indica se o valor das empresas está crescendo ou caindo.

Cruzando essas duas informações (taxa de juros em queda e Bovespa em alta) pode-se entender que o dinheiro está ficando menos oneroso. O crédito está se tornando mais acessível. Com juros mais baixos, as empresas podem pegar mais dinheiro para investir, expandir seus negócios, contratar mais mão-de-obra e isso promove um aumento na renda do trabalhador, aumento no consumo, aumento na produção da empresas e um crescimento na economia. Todo esse conjunto de fatores faz com que o valor dessas empresas aumente no mercado. Ou seja, o valor das ações dessas empresas na bolsa de valores cresce.

Outro ponto importante a observar é a velocidade com que a BOVESPA se recupera depois de uma crise. Antes, a recuperação demorava certo tempo para acontecer. Hoje, as crises continuam existindo, mas a recuperação se dá de forma mais rápida.

Nem tudo será só comemoração. Essa crise não foi a primeira e não será a última no Brasil e na história. Os juros com certeza vão crescer novamente e cair depois. Mas, o que mede se estamos indo bem ou não é o conjunto como um todo analisado ao longo de um determinado período de tempo.

Se a taxa básica de juros continuar em ritmo de queda, é possível que o Brasil comece a viver uma nova história de crescimento sustentável. Esse crescimento pode ser medido, dentre outros instrumentos, pelo valor e pelo crescimento das empresas que geram renda e tem seus ativos refletidos na BOVESPA.

 

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A taxa de juros a um dígito no Brasil: uma análise pelos dois lados da moeda.  (Assuntos Econômicos) escrito em terça 28 julho 2009 16:52

Por Enio Willian

O Brasil está vivendo um momento histórico no mercado financeiro, principalmente no que diz respeito à taxa de juros. A taxa básica de juros que baliza a economia e o crédito no país, a SELIC, vem apresentando reduções significativas ao longo do tempo.

Analisando a evolução histórica dessas taxas no período entre janeiro de 2002 a agosto de 2009, é possível verificar alguns pontos interessantes.

A maior taxa já registrada no período ocorreu nos meses de abril e maio de 2003 onde a SELIC alcançou 26,32% ao ano. Na verdade, o Brasil sempre registrou a maior taxa de juros praticada no mundo e atualmente vem disputando essa posição com a Turquia. Quando os juros são altos no país, os setores produtivos que necessitam de crédito para produzirem e se desenvolverem também são afetados pois o custo de capital para essas empresas se tornam elevados. Normalmente, esses custos são repassados aos consumidores além de ameaçar o emprego e a renda dos trabalhadores.

No entanto, de janeiro de 2006 para cá, essa taxa vem caindo consideravelmente e de forma constante. Em janeiro de 2006, ela estava em 17,98% ao ano e foi reduzindo até junho de 2008, fechando em 11,64%. A crise financeira mundial fez com que ela subisse nos nove meses seguintes devido à escassez de crédito causado pela crise, mas em abril deste ano a SELIC ficou inferior aos 11,64 % observados em junho do ano passado.

Se for analisado todo o período entre 2002 a julho de 2009, é possível concluir que a taxa SELIC sofreu uma redução de 51,91%. Isso é ótimo.

O porquê do “momento histórico” ?

Mas, afinal, porque o país vive agora um momento histórico ? A resposta encontra-se na taxa de juros verificados em julho e agosto de 2009. Pela primeira vez na história brasileira, a taxa básica de juros da economia ficou abaixo dos dois dígitos, fechando em 9,16% ao ano para julho e agosto deste ano. Isso é um registro histórico para o Brasil.

No entanto, esse número não é o desejável ainda, uma vez que outros países possuem taxas de juros bem menores. Na Alemanha, ela está em torno de 1,5% ao ano, nos EUA essa taxa é de 0,25% ao ano (em abril de 2009). Quando analisado essa taxa no Japão, ela é uma das menores do mundo. Em junho deste ano, ela estava em 0,1% ao ano. O Brasil ainda possui um caminho a percorrer, mas algo indica que ele caminha para o rumo certo. Vamos torcer.

Essa redução traz diversas vantagens. Vamos citar algumas.

Em primeiro lugar porque torna o custo do capital mais barato e promove o crescimento de outros setores da economia que necessitam de crédito para expandirem seus negócios, promovendo a criação de emprego e renda. Depois, com o crescimento desses setores, o país como um todo cresce. Quando as empresas crescem e se desenvolvem, o país também cresce. Essa valorização, muitas vezes, é refletida na bolsa de valores.

Outro ponto a citar é a influência dessa redução para o consumidor final. O dinheiro ficou mais barato tanto para as empresas, que se utilizam desse capital para aumentarem sua produção, quanto para as pessoas que podem recorrer ao crédito mais barato com o objetivo de consumo final.

Alguns cuidados:

A redução da taxa básica de juros na economia traz diversos benefícios, como já foi visto. Porém, é preciso lembrá-los dos seus riscos quando utilizados de forma inadequada.

Com o crédito mais barato e acessível, muitas pessoas podem recorrer a esse instrumento para  complementar a renda e aumentar o consumo. Tremendo erro. Crédito não é aumento de renda do trabalhador. Ele deve ser usado de forma inteligente.

Ele deve ser usado para quitar outras dívidas pendentes cuja taxa de juros é maior do que o valor do crédito que o consumidor pretende contrair agora. Por exemplo, se o consumidor possui uma dívida com cheque especial ou cartão de crédito, seria interessante ele conseguir um empréstimo pessoal com juros menores do que ao do cartão de crédito e do cheque especial para quitar essa dívida.

Outro uso inteligente para o crédito mais barato encontra-se no fato de aproveitar esse momento para investir em um negócio próprio. Nesse caso, a pessoa estaria utilizando um capital de terceiro para abrir um novo empreendimento, criando novos postos de trabalhos e produzindo renda. Nessa opção, o crédito (dinheiro emprestado pelo banco) estaria trabalhando para você.

Essas são algumas sugestões para o uso inteligente do crédito.

A redução da taxa de juros pode levar muitos a ficarem endividados pela falsa impressão de que seu poder aquisitivo também aumentou. Mas, isso não é verdade. Por isso, cuidado ao buscar crédito.

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